segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Ando pelo mundo entre a distância e a culpa, sigo em silencio sem me perdoar contando as horas no relógio nada muda, perdendo sempre tempo até você chegar. Ligo a TV mas ninguém leva a sério, os dias que perdi com pena de mim contando estrelas mortas no meu hemisfério antecipando o fim. Sem pensar em nada ando pelas ruas, fotografando qualquer casa pra mentir quem eu sou, enganar o que eu quis. No metrô à noite esqueço os lugares, não entendo as pessoas com meus dias pra viver e o mundo pra esperar.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

"Aqui sete visões, sete esculturas de líquido perfil dissolvem-se entre cálculos computadorizados de um país que vai deixando de ser humano para tornar-se empresa gélida, mais nada...][...(“Assumimos a responsabilidade! Estamos construindo o Brasil grande!”)
... Sete quedas por nós passaram, e não soubemos, ah, não soubemos amá-las, e todas sete foram mortas, e todas sete somem no ar, sete fantasmas, sete crimes dos vivos golpeando a vida que nunca mais renascerá. "

                                                                                                                         Carlos Drummond de Andrade
Entre esses tempos de olimpíadas e  de ufanismo nacional,  eu fico, por certo e sempre, emocionado com a , para alguns simples, reprodução do Hino nacional.  Há aqueles de se passar em vão e sem emoção mas não à  mim,   o mais brutal, primitivo e emocionante sentimento  aflora, ou por me fazer sentir integrante de uma unidade , por me fazer  víscera de um corpo social ou por me fazer sentir um dos dentes do mais "feliz" dos países. Lagrimas. É de um sentimento incontrolável, calafrio embriagado que sobe acidentando as espinhas e a derme, que adoração, que adoração, que positivo. Hão de me fazer mais e mais orgulho de Brasileiro, de guerreiro, de trabalhador.Me tiram o coro e me tiram o ouro mas me fazem sentir orgulho de não ser de nenhum país outro.

segunda-feira, 30 de julho de 2012



"Viveram pouco para morrer bem
     morreram jovens para viver sempre."

Guilherme de Almeida.


quarta-feira, 4 de julho de 2012

                                                                       
                                                                   
   Brasil : de operário a presidente 




       Vivemos um momento próprio em nosso país não só para a delimitação das fronteiras sociais , como também para fazer a previsão de até onde elas podem ser movidas.
       O quadro de disparidade econômica e social no Brasil é um somatório de fatores que ao longo de nossa história criaram grupos de favorecidos e flagelados , em um processo que realmente não foi simples , como hoje também não é o combate ao hiato que há entre eles. Estamos em um país e formamos uma sociedade marcada pela escravidão e pela falta de incentivo à integração de abolidos após a lei áurea, tínhamos uma capital federeal que ao seguir de forma artificial o modelo urbano francê jogou para as margens seus moradores mais pobres, e , ainda hoje, uma única unidade federativa possui gro de capital maior de que todas as outras vinte e seis unidades somadas.
        Em contrapartida o momento é de mudança e de superação do passado histórico , aos poucos e em passos lentos caminhamos para a solução, visto que nunca tivemos na história tantos alunos , vindos de escolas públicas , em universidades, assistimos a um crescimento econômico da classe C e ao acesso da massa populacional ao crédito.
        Devemos reconhecer que há um cisma no protocolo social do Brasil, em nenhum outro país do mundo um operário ascendeu à presidência de forma democrática como aconteceu aqui, esse é um fato irrefutável de que podemos transpor barreiras sociais , porém, ainda devemos primar para a melhor distribuição da infraestrutura, diminuição do chamado "custo Brasil", melhoramento da saúde pública, educação e lazer para que assim essas fronteiras tornem-se diminutas.
   

terça-feira, 19 de junho de 2012



  

Alegria Clandestina 

Numa aquarela tropical , que dizem ter cores infindáveis
Em ferida aberta de uma terra de sabores e de amores.
Entre o desenvolvimento e o vazio, nós : o esquecimento.
O esquecimento e o esquecido.
Num preto e branco funebre coberto de sol vermelho de sangue.

Em final de feira livre, no podre, no inconsumível.
Lá dou minhas caras nas suas solas.
Tenho o peso de tuas sombas
Mesmo que ainda não saiba medir o tamanho de minha alma
Acaba-se a leveza dos inocentes, acaba-se em lama e fome

Nada mais poético que um grito de socorro.
Só corro para alimentar-me
Só corro para sustentar-lhe
Só corro para não ser pego e pegado.

É com a minha  calma e alegria clandestinas que vou transgredindo tua impaciência.
Ass : aqueles à que falta impertinencia 


domingo, 17 de junho de 2012

"Por aqui tantos amores e tantos poetas, não-poeta como eu,  incrivelmente não se sente deslocado e se mantém transloucado de amor por você"

(Sabine)

quinta-feira, 14 de junho de 2012


                             

      "Tenho lido muita vida e vivido pouca poesia."

domingo, 3 de junho de 2012



     América. 
América menina,  antes prostituída agora prostituta. 

Bela em latitudes como nenhuma outra, rica em detalhes e antigas inocências. 
De branca no inverno a morena no verão.
É a América não de luas mas a de sois.

Vertigem plena de descobrimento e prazer.
Das altitudes, planalticas e baixadas.
Que curvas da menina América.
Não deixes Tu, ela fazer seu próximo programa.
Quem se omite no caso, se admite Proxeneta.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

‎"São milhões de brasileiros que não tem para onde correr, mas que correm contra o tempo pra no fim poder comer e engolem tudo a seco com a sede de vencer. Mas que tempo vagabundo que escolheram pra eu nascer!"

(Capitães da Areia - Jorge Amado)

sábado, 26 de maio de 2012



" É nas noites de lua minguante e de pouca companhia , que se descobre que respeito nasce do amor próprio, camaradagem da admiração recíproca , é em noite mal dormida e de compromissos mal assistidos  que se descobre o sentido da Amizade. Se descobre a validade da ultima. Flores a esperança ! "

quinta-feira, 24 de maio de 2012


              " E naquele sonho de paisagem se passou a vida, se passou a juventude e junto dele vou morrer."

terça-feira, 22 de maio de 2012



Mar Irado.



Me vejo muito errante
Em caminho certo e lúdico
Com amor tão brasante 
Que não desejo tê-lo mais pudico

Em musicalidade e eloquência
Minha vida já não posso dar mais sequência
Saber desejável e infindável , ela
Sou Irascível por você, bela 

Oh mar irado, oh mar dançante
Cabes tão bem nos olhos dela 
Que canta, ama, encanta - Oh que bela

Nado, nado ... e nada 
Mesmo o sofrimento me leva a você
Sou afogado do amor e do poder.

(Morador do Baú de Davy Jones)

domingo, 20 de maio de 2012



"Felizmente existe o álcool na vida.
Uns tomam éter, outros, cocaína.
Eu tomo alegria!
Minha ternura dentuça é dissimulada.
Tenho todos os motivos menos um de ser triste.
Estou farto do lirismo comedido.
Como deve ser bom gostar de uma feia!
Pura ou degradada até a última baixeza
eu quero a estrela da manhã.
... os corpos se entendem, mas as almas não.
- Bendita a morte, que é o fim de todos os milagres".


                                                      (Carlos Drummond de Andrade)

sexta-feira, 18 de maio de 2012


 Eu vivo para presenciar tais momentos, para ser testemunha viva da incoerência e da ignorância alheia, para ser memória e vergonha latentes que não se calam nem mesmo com a ilustração. Quero ser prolixo e facínora, carrasco mor dos culpados, quero ver padecerem a dor até que a vergonha acabe em sangue e terra.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Re-gêneses



Esse blog aqui já não me é novidade, já o abri e fechei diversas vezes, por motivos diferentes e sempre eles terceirizados. Me peguei por vezes dizendo a mim mesmo "não terceirize sua felicidade, nem seu desempenho", e eu tentava, não sei se só me enganar, me livrar de toda e qualquer influencia alheias decisivas em minhas ações, depois virou meio que uma promessa pessoal minha, como aqueles regimes que só começam nas segundas feiras, segundas feiras nunca nominais ,não acompanhadas de mês e ano, para que não se criasse aquele sentimento de culpa depois, numa grande sacada enganosa - “Só não disse em qual delas seria"-. E assim foi indo, enquanto me convencia de que não fazia isso por falta de tempo , e que quando o tinha não o fazia por falta de inspiração. Assim protelei por quase 5 anos sua reabertura, mas hoje, ainda que, não tenha superado nem a vergonha de ser lido, o medo de ser mal interpretado e nem a possibilidade de que o corretor do world possa não ser tão generoso comigo, resolvi reabrir-lo. Sem ter ao certo seu rumo nem seu estilo, sua estética e nem sua posição ideológica. Não sou melhor pessoa do que era, não sou mais equilibrado nem decidido, continuo errante e louco. Pouca coisa cresceu além dos meus questionamentos. 1 lição eu tive, reportar para depois relembrar é uma delicia, as vezes vergonhosa mas sempre uma gostosura.